Ano XIII - Jornal N.º 26 - Março de 2005

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VIAGEM / PEREGRINAÇÃO A

SANTIAGO DE COMPOSTELA

Nos dias 21 e 22 de Janeiro de 2005, os alunos de EMRC (Educação Moral e Religiosa Católica) do 12.o Ano da nossa escola, juntamente com os das escolas de Oleiros e Sertã, acompanhados de alguns professores, foram em peregrinação a Santiago de Compostela.
Partimos pela 7h30 do dia 21 e rumamos até Braga onde visitamos os santuários do Sameiro e do Bom Jesus e almoçamos. Dali partimos, pelas 14h30, e efetuamos nova paragem em Valença onde pudemos visitar a fortaleza e contemplar o rio Minho que estabelece a nossa fronteira com Espanha.
Seguimos viagem e passamos por Vigo em cuja ria pudemos avistar os curiosos viveiros de berbigão e “as ondas do mar de Vigo” que nos fizeram recordar a nossa poesia trovadoresca cujas raízes nos foram trazidas pelos peregrinos de S.Tiago que até ali rumavam da longínqua Provença. Durante a viagem, o P.e Armando foi-nos recordando tudo isto e muitos outros aspectos culturais ligados ao que víamos e à história de S.Tiago.
Finalmente chegamos, por volta das 18h30 (hora portuguesa), ao hotel no Monte do Gozo onde ficaríamos hospedados. Depois da recepção e distribuição dos quartos, fomos jantar e cada um ocupou o seu tempo como desejou durante o resto da noite.
Na manhã seguinte, após o pequeno almoço, rumamos, por volta das 8h30 (hora espanhola) para o centro da cidade onde, na praça do Obradoiro, em frente da majestosa catedral, nos aguardava o Sr. José Conde, que nos proporcionou uma interessante visita, primeiro pelas praças vizinhas da catedral e depois no seu interior.
Explicou-nos toda a história do apóstolo S. Tiago, a descoberta do seu túmulo e fluir das peregrinações ao longo dos séculos. Contextualizou e explicou também tudo o que ali se pode ver desde as variadas capelas, ao altar-mor, à decoração, aos estilos arquitetónicos, às lendas e rituais. Destacou a prática de alguns costumes: o abraço a S.Tiago, a que nos acompanhou, as “cabeçadas” da sabedoria ou o pedido dos três ou cinco desejos com a colocação dos dedos da mão numa das colunas do Pórtico da Glória, a jóia mais bela de toda a catedral e único no mundo, cuja beleza nos levou a descobrir em pormenor. Nas suas explicações houve sempre a preocupação de nos ajudar a discernir entre uma prática religiosa coerente e fundamentada na fé e aquilo que é pura tradição ou mesmo superstição.
Durou mais de duas horas, que passaram rápidas, esta enriquecedora visita após a qual ainda nos restou algum tempo que cada um ocupou a seu belo prazer. Uns limitaram-se a percorrer as ruas, observando aquele espectáculo de cultura; outros iam adquirindo lembranças daquelas passagens e alguns participaram na celebração da Eucaristia do peregrino, ainda que em castelhano, às 12 horas.
O tempo voava e tivemos que regressar ao hotel onde almoçamos, pelas 14 horas. Antes de encetar a viagem de regresso, fomos ao cimo do Monte do Gozo, assim chamado porque dali os peregrinos do “caminho francês” avistavam pela primeira vez, após a longa viagem, as torres da catedral, sentindo o gozo, a alegria, da chegada. Onde muitos sentiram a alegria da chegada, começamos nós a sentir a tristeza da partida: fizemos a fotografia de grupo, cantamos “chegou a hora do adeus” e demos um último olhar sobre a cidade onde um dia contamos voltar.
Iniciou-se a viagem do regresso a Portugal com novas paragens para descansar e para que o motorista pudesse cumprir as normas de trabalho. Toda a viagem decorreu num ambiente de alegria e convívio entre os alunos das diversas escolas e, pelas 21 horas, já estávamos a chegar a casa.
Só temos pena que esta visita, tão enriquecedora humana e culturalmente, durasse tão pouco tempo.
Sabemos que ela só foi possível graças ao empenhamento dos nossos professores e aos apoios das câmaras municipais de Sertã, Oleiros e Proença-a-Nova e respectiva junta de freguesia a quem agradecemos penhoradamente.

Os alunos de EMRC do 12º Ano