Ano XIII - Jornal N.º 26 - Março de 2005

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ENTREVISTA A ANA RITA RAMOS

Luís / Tiago: Qual o seu papel no I.T.N (Instituto de tecnologias Nucleares)?
Ana Ramos: Sou doutorada em física.

Luís / Tiago: Que faz precisamente?
Ana Ramos: Ajudo a manter o Reactor operacional 24 horas por dia, ou seja, controlo a produção de Neutrões. Com os meus colegas, faço pesquisas científicas, e lido diariamente com processos nucleares. Além disso sou uma das empregadas que é relações públicas no que se trata precisamente do Reactor.

Luís / Tiago: Qual o seu pensamento em relação ao I.T.N?
Ana Ramos: Eu acho que o I.T.N tenta responder a um aspecto, que é o controlo, estudos e não só do que é Nuclear. Tenta trabalhar dentro dos projectos válidos, legais e seguros e acima de tudo acho que promove um grande avanço científico e que é muito útil para todos nós.

Luís / Tiago: Como apareceu o I.T.N?
Ana Ramos: O I.T.N é uma instituição que foi “filha” da J.E.N (Junta de Energia Nuclear). A J.E.N tinha todas as áreas (CFQ, Biologia, etc.) Foram estas áreas que conduziram à origem do I.T.N. Há medida que o tempo passava os progressos e descobertas científicas sobre a radioactividade iam aumentando, e tudo isto originou o I.T.N.

Luís / Tiago: Sendo o Urânio-235 uma grande matéria utilizada aqui no Instituto de Tecnologia Nuclear, será que nos pode dizer de onde vem a maior parte de Urânio-235?
Ana Ramos: A maior parte do Urânio-235 vinha directamente da Urgeiriça. Agora já não é tanto porque já se foi gastando. Actualmente vem muito da América e até Canadá, mas não é necessário muito, visto que o Urânio, demora a desaparecer muitos e muitos anos.

Luís / Tiago: Vocês como empregados, costumam tirar conclusões do estudo? Com que frequência?
Ana Ramos: Sim tiramos conclusões do estudo. Sempre que efectuamos o nosso trabalho diariamente, tiramos conclusões. É muito importante tirar-mos as conclusões, porque nos permitem saber se estamos a efectuar um bom trabalho.

Luís / Tiago: Sabe-se que trabalham a nível Internacional. Será que nos pode explicar como efectuam relações com os outros investigadores estrangeiros?
Ana Ramos: Sempre que trabalhamos nos projectos, ou sempre que tiramos conclusões, é publicado em revistas internacionais e analisado por especialistas. E assim vice versa. Além disso podemos contactar com outros investigadores, pelos processos já conhecidos como fax, telefone, conferências, etc.

Luís / Tiago: Fala-se constantemente em Energia Nuclear. Gostaríamos de saber a sua opinião se Portugal deveria fazer algo em relação a esta energia?
Ana Ramos: Não há dúvida nenhuma que a energia Nuclear é muito útil para o nosso país mas é preciso ter em conta que a enegia nuclear, liberta resíduos que são muito complicados de eliminar. Já existem institutos que trabalham este aspecto, mas não fica muito barato manter estes institutos, 24 horas por dia. Outro aspecto que é importante salientar, é o enorme custo elevado, para manter uma fábrica nuclear a trabalhar. Eu acho que Portugal, neste momento, tem que ter o pensamento da energia nuclear, face ao nível económico, porque não teria possibilidades de manter uma fábrica nuclerar a trabalhar.

Luís / Tiago: Muito obrigado pelo seu tempo e atenção.

Tiago Mexia e Luís Fernandes (10ºB)