Ano XIII - Jornal N.º 26 - Março de 2005

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Os Pequenotes
Outros Temas

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UMA BATALHA A VENCER

Fazer a análise dos resultados da avaliação, neste caso do ensino secundário e do 1º período, é uma tarefa difícil, pois a aprendizagem depende de muitos factores, alguns dos quais escapam à responsabilidade dos alunos, outros não dependem da preparação e empenho dos professores. De qualquer forma, uma análise, ainda que não pautada por metodologias científicas, mas pela mera observação atenta de resultados permitirá reflectir e tentar melhorar o processo de ensino e aprendizagem no tempo lectivo que se segue.

Começando pelo fim – pelo 12º Ano – o grau de aproveitamento é aceitável, já que em 326 avaliações, apenas 66 se revelam negativas, daí resultando um insucesso de 20,5%. Na multiplicidade de disciplinas do actual plano de estudos dos nossos alunos (23 disciplinas), três dessas disciplinas representam cerca de 75% do insucesso: Química, Matemática e Português, por esta mesma ordem. O que não deixa de ser preocupante, pois são cadeiras de exame nacional para a maioria dos alunos e disciplinas em que um mau desempenho condiciona uma boa saída no ensino superior. Donde, os alunos destas disciplinas, nomeadamente de Química e Matemática, não podem ser fracos nem mesmo suficientes: têm que ter mesmo bons e muito melhores desempenhos se pretendem o acesso a um ensino superior qualificado. E isso só se consegue com muito esforço e trabalho - que é o que, por vezes, não há.

No que concerne ao 11º Ano, e usando um levantamento de dados de análise semelhantes, de 21 disciplinas dos planos curriculares, duas delas (Matemática e Físico-Química, por esta ordem) representam cerca de 42% do insucesso neste ano escolar. Em 377 avaliações, 81 foram negativas, pelo que o insucesso global ronda os 17,7%. É um resultado satisfatório, mas que, ao nível da Matemática, exige, outra vez, uma outra abordagem pelos alunos que não encaram esta disciplina como “o pão nosso de cada dia” do estudo, ela que é uma área cativante e matricial na área das ciências mas que requer um empenho contínuo, dia sim dia sim, sem folgas nem descansos. E os professores, através das salas de estudo, dos clubes, dos reforços aí estão para apoiar recuperações e incentivar voos mais ambiciosos.

Por último, o 10º Ano, ano já abrangido pelo novo desenho curricular da reforma. Aqui, notoriamente, há uma diminuição de disciplinas, mas nem por isso os resultados são melhores. Das 16 disciplinas em análise, quatro contribuem com 70% de todo o insucesso no ano. São elas, e por ordem, Inglês, Matemática, Português e Filosofia, fazendo com que o insucesso global ronde os 32,6% (154 negativas em 471 avaliações). De referir, ainda, ao nível do Curso Tecnológico de Informática, os fracos desempenhos dos alunos ou mesmo péssimos nas disciplinas Bases de Programação e Matemática B. Há pois que mudar de mentalidade, mudar a maneira de estar na escola ou mudar de meio de vida. A escola é um local em que cada aluno se deve sentir bem, onde é bom estar com os amigos, ser uma família (e isso é muito bom) mas… não basta. Há que lutar, trabalhar, denodadamente. Não há resultados sem esforço, sem “queimar as pestanas”. E o que se perde no 10º ano, dificilmente se recupera nos anos seguintes em termos de pré-requisitos e de somatório de resultados de curso.

Na escola está a garantia de um futuro mais qualificado e de uma maior qualidade de vida, num amanhã cada vez mais competitivo e em transformação acelerada. Será inteligente não desperdiçar este tempo que não volta e que é único e que é aquele de que dispomos no agora. Por isso, numa escola de valores e de saberes, descobrir o trabalho/estudo como a nossa riqueza, como uma riqueza para cada estudante também é um valor. Um desafio aos alunos, e que interpela pais e professores.

Daniel Catarino - Coordenador dos Directores de Turma do Secundário