Ano XII - Jornal N.º 24 - Junho de 2004

Edição ON LINE

Home PageEditorial
Matemática e Ciências da Natureza
Notícias da Escola
Visitas de EstudoOs Poetas
Desporto
Os Pequenotes
Actualidades
Outros Temas
Biblioteca Escolar / Centro de Recursos

Os Poetas

        Ao Adamastor

        As naus navegam, prosperamente,
        Descuidados, os nautas viram
        Aparecer a nuvem esquisita,
        Malévola, escura, carregada,
        Anunciando presságios malditos.
        Senhor dos Céus – gritou o Gama,
        Tende piedade de nós, mortais,
        Obreiros desta missão imperial,
        Revelada aos filhos de Portugal!
         
        Adversário qualificado dos mareantes
        Deste ao mundo a mensagem do medo.
        Arrogante super-homem lá do Cabo,
        Mais não eras que um fero e rude penedo.
        Abre agora os teus braços carinhosos,
        Sente agora o amor que então mostraste,
        Trava agora as tragédias belicosas
        Onde outrora tantas vidas devoraste,
        Roendo - lhes os ossos e as entranhas deleitosas.
         
        A tua grandíssima estatura,
        Dotada de membros tão disformes
        Ameaçava a terra, o mar e o mundo.
        Mas, quando o Gama te confrontou,
        A tua fraqueza foi bem notória.
        Soubeste então trazer à memória
        Teus grandes feitos e raras aventuras
        Omitiste, porém, tremendas frustrações.
        Razões óbvias das tuas derrotas futuras!
         
        A deusa Tethis, formosa ninfa
        Do mar profundo, nunca te atendeu,
        A tua teimosia, imbecil e impura.
        Mostrava uma intenção falsa e desleal
        Assim não admirou que ficasses
        Sem ninfa, sem amor e sem carne.
        Tudo foi, para que, enfim amasses
        O penedo, teu igual, estéril e duro!
        Relação invertida! Que desventura!
         

          J. F.