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Os Poetas
Ao Adamastor
As naus navegam, prosperamente,
Descuidados, os nautas viram
Aparecer a nuvem esquisita,
Malévola, escura, carregada,
Anunciando presságios malditos.
Senhor dos Céus
gritou o Gama,
Tende piedade de nós, mortais,
Obreiros desta missão imperial,
Revelada aos filhos de Portugal!
Adversário qualificado dos mareantes
Deste ao mundo a mensagem do medo.
Arrogante super-homem lá do Cabo,
Mais não eras que um fero e
rude penedo.
Abre agora os teus braços carinhosos,
Sente agora o amor que então mostraste,
Trava agora as tragédias belicosas
Onde outrora tantas vidas devoraste,
Roendo - lhes os ossos e as
entranhas deleitosas.
A tua grandíssima estatura,
Dotada de membros tão disformes
Ameaçava a terra, o mar e o mundo.
Mas, quando o Gama te confrontou,
A tua fraqueza foi bem notória.
Soubeste então trazer
à memória
Teus grandes feitos e raras aventuras
Omitiste, porém, tremendas frustrações.
Razões óbvias das
tuas derrotas futuras!
A deusa Tethis, formosa ninfa
Do mar profundo, nunca te atendeu,
A tua teimosia, imbecil e impura.
Mostrava uma intenção
falsa e desleal
Assim não admirou que ficasses
Sem ninfa, sem amor e sem carne.
Tudo foi, para que, enfim amasses
O penedo, teu igual, estéril
e duro!
Relação invertida!
Que desventura!
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