Ano XII - Jornal N.º 25 - Dezembro de 2004

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O LUGAR DA "PEDRO DA FONSECA"

O caminho da excelência

Há uns anos a esta parte, o Ministério da Educação (ME) publica os resultados dos exames do 12.º ano, escola por escola. Baseados nesta informação, alguns jornais nacionais elaboram um “ranking”, melhor, uma lista ordenada das melhores para as piores escolas e lá se publica ela, no final de cada Verão, com grande estrondo e conversa. Não é por acaso que o ME não faz a lista e apenas divulga os resultados dos exames. É que uma lista tem efeitos perversos e um deles é que as pessoas são levadas a pensar a lista dos resultados como a lista das escolas e isso não é verdade. As listas não revelam as melhores e as piores escolas. O que está à vista são apenas os resultados dos exames do 12.º ano. Sobre o assunto, ponto final.

A escola Pedro da Fonseca até nem tem ficado mal no retrato. Geralmente fica no meio. Nos últimos exames de 2004, o jornal Público colocou-a em 285º num total nacional de 608 escolas públicas e privadas e o semanário Expresso em 328º. A nível distrital tem permanecido, regularmente, nos cinco primeiros lugares, em 17 escolas. Repito: o que está em causa não são as escolas, são os resultados dos exames do 12.º ano.

As análises dos especialistas referem, a nível nacional, que os melhores resultados se registam no litoral, nos meios urbanos e nas escolas privadas. Neste sentido, sendo a Pedro da Fonseca uma escola do interior, “rural” e pública até nem está mal colocada. Diria mesmo que está muito bem.

Mas a questão sobre a qual devemos reflectir é esta: “Temos feito tudo o podemos para sermos ainda melhores”?

A Pedro da Fonseca disfruta de um conjunto de circunstâncias que só podem conduzir à melhoria do ensino, da educação e dos resultados dos exames do 12.º ano.

Em primeiro lugar, está inserida num ambiente rural. Aquilo que muitos consideram uma desvantagem, eu acho que pode ser uma mais valia. Passo a explicar. É dos manuais da sociologia da educação que, entre todos os grupos sociais, as populações rurais são aquelas que depositam maiores expectativas na Escola como instrumento de ascensão social dos seus filhos. São as que mais se esforçam para que os seus descendentes frequentem o sistema de ensino. Isso é uma vantagem. Os dados estatísticos provam o fenómeno no Pinhal Interior Sul. Aqui, a taxa de abandono escolar, em 2001, foi cerca de metade da do continente nacional (PI-1,4%; C-2,7%) relativamente aos jovens entre os 10 e os 15 anos que não concluíram o 9.º ano. Aqui, os níveis de retenção no ensino básico são inferiores à média do continente (PI-10,2%; C-13%) o que, conjugado com o facto de se tratar de uma zona com um Índice de Desenvolvimento Humano abaixo dessa mesma média (PI=0,74; C=0,80) configura um sinal extremamente positivo relativamente à expectativa que as nossas famílias depositam na Escola e na formação dos seus filhos. É uma vantagem que temos de potenciar.

Em segundo lugar, a Pedro da Fonseca não se pode queixar de más instalações nem carência de recursos materiais e de equipamentos. Temos boas instalações, relativamente novas e em bom estado de conservação e funcionamento (também se tem trabalhado para isso...), temos laboratórios relativamente bem equipados, temos acesso a um bom pavilhão desportivo, temos uma biblioteca/centro de recursos que recentemente passou a integrar a rede de bibliotecas escolares, com as vantagens daí provenientes, temos...

Em terceiro lugar, temos recursos humanos bastantes. O corpo docente é relativamente estável e habilitado profissionalmente. Os funcionários administrativos são profissionalmente competentes e dedicados. O mesmo se pode dizer do pessoal de Acção Social Escolar, dos Auxiliares de Acção Educativa e das funcionárias da Cantina. Temos um Serviço de Psicologia e Orientação superiormente dirigido por um psicólogo com o grau de mestre.

Por fim, mas não em último lugar, temos uma boa, estável, motivada e competente equipa directiva.

A tendência só pode ser a de melhorar a qualidade do ensino, da educação e da formação dos nossos alunos. Em minha opinião, só corremos um risco de tal não acontecer. É o de cairmos na tentação de facilitar. Temos de ser exigentes. Todos. Cada um por si e cada um com os outros: os professores, os funcionários, os alunos, os pais... Temos de interiorizar a ideia de que a Escola não é apenas um local para nos sentirmos bem e brincarmos. É também um sítio onde se trabalha e o trabalho, na maior parte das vezes e para a maioria das pessoas, exige sacrifício e cumprimento de normas. Se não nos esquecermos disto, e o aplicarmos, se trabalharmos bem, e fizermos trabalhar, a Pedro da Fonseca caminhará para a excelência. E os nossos alunos, um dia, nos agradecerão. Não agora.

António Manuel Silva, Prof. de História