Ano XII - Jornal N.º 25 - Dezembro de 2004

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Regina Dias
Regina Dias (7º A)

A MINHA FAMÍLIA

Os meus pais são tudo na vida, são a coisa mais importante que eu tenho.

O meu pai chama-se José António Ribeiro Dias e a minha mãe, Maria de Fátima Ribeiro Simões. Tenho muito orgulho em toda a vida deles.

A minha mãe, que era a única filha menina e a mais nova, era a mulherzinha da casa. Já de pequena, desde trabalhos de casa a cuidados com animais, ela fazia de tudo. A minha avó passava o dia fora de casa, no trabalho do campo, e não tinha tempo para outras coisas.

Foi para a escola. Com umas galochas e uma gabardina, encharcada que nem uma esponja, atravessava pinhal, passava ribeiras que levavam muita água no Inverno (os irmãos tinham que lhe pegar ao colo) para ir à escola, onde passava o dia toda molhada com a roupa a secar-lhe no corpo.

Chegava da escola e, - pobre destino o dela! – ia guardar cabras por vales e cabeços. Só à noite, depois de todos os trabalhos a que era sujeita estarem feitos, é que ia, à luz da candeia, fazer os trabalhos escolares.

Era uma vida difícil numa época difícil.

Não continuou a estudar depois do 6º. Ano porque tinha que ir trabalhar.

Já com o meu pai a história foi diferente, mas não deixou de ser difícil. Nasceu com seis dedos em cada mão e, aos seis anos, fez uma grande operação para os tirar. Aos três anos e dois meses, o pai morreu. Isto quer dizer que cresceu sem o amor paterno.

A sua mãe era muito doente. Teve 12 filhos, mas alguns morreram quando pequenos e sobreviveram 8. Sozinha e impossibilitada, criou todos estes filhos. E todos trabalhavam. Os mais velhos ganhavam dinheiro, os mais novos tratavam da horta, de casa e dos animais. Moravam no Vale d’Água e iam todos juntos para a escola.

Já maiorzinho, o meu pai vivia na casa dos irmãos. Estudou até ao 9º. Ano e depois foi viver para Lisboa onde vivia a irmã. Foi tirar o curso de electricista e, no dia 5 de Outubro de 1981, começou o seu trabalho.

A vida dos meus pais estava organizada. Conheceram-se e casaram. Tiveram filhos (eu e a minha maninha Rafaela) e sempre trabalharam para que nunca nos faltasse nada. Passaram também algumas dificuldades, mas sempre foram unidos.

Considero-me uma menina feliz. Nunca me faltou nada porque os meus pais sempre trabalharam para isso. Também tive e aprendi a aceitar os “nãos” que algumas vezes ouvi, mas isso ajudou-me a formar-me como pessoa e ao meu carácter.

Se há pessoas por quem eu daria a vida seria pelos meus pais e pela minha irmã e, decerto, eles também a dariam por mim. São um exemplo de vida. O meu pai é um herói. A minha mãe, uma heroína. Eu, uma menina feliz.