Ano XII - Jornal N.º 25 - Dezembro de 2004

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PERSEVERANÇA

Não me venham com histórias... nesta vida, para além de se ser limpo e educado, como diz constantemente um professor que conheço, é preciso ser perseverante. Que pena que a palavra seja um bocadito complicada... para os mais perdidos cá vai a explicação: segundo o dicionário de língua portuguesa que tenho aqui à mão perseverar significa persistir, ter firmeza, continuar, conservar-se firme e constante.

Pois é, apetece-me falar de perseverança... às vezes o pensamento passeia sozinho por bairros que não planeámos visitar. Em alguns destes passeios encontrei-me com muitas histórias de vida e com alguns sentimentos que me conduziram a uma ideia: que magnífica qualidade possuem os perseverantes, aqueles que fazem da vida uma prova de resistência, que sabem correr esta maratona com firmeza e esperança. Julgo não estar muito enganada ao dizer que por detrás de uma vitória há sempre uma história de perseverança. Admiro aqueles que lutam constantemente por um objectivo, com constância, com persistência, julgo que deles é o mundo.

Mas ser perseverante não me parece tarefa fácil, nunca costumam ser fáceis os caminhos realmente úteis. Ser perseverante implica caminhar sem olhar demasiado para relógios ou calendários, implica aceitar todos os conselhos mas decidir sozinho, implica um grande conhecimento de nós próprios e por isso das nossas capacidades e limitações, implica dedicar tempo a chorar mas também a limpar as lágrimas e a transformá-las em novas forças, implica ainda, obviamente, a definição de objectivos muito concretos e uma verdadeira motivação para os alcançar.

As quedas fazem parte da nossa existência, só os mentirosos nunca caíram... e às vezes os tombos são realmente dramáticos, o mundo chega de verdade a desabar sobre nós ou a abanar violentamente em trajectórias ainda não descritas pelos astrónomos. Quando a música muda de ritmo, com o protagonista ainda no solo entre lágrimas e silêncios, e é preciso filmar outra cena, distinguem-se dois tipos de guionistas: aqueles que passam imediatamente para a cena em que o actor principal se levanta e diz: “Amanhã é outro dia” (impossível não pensar em Scarlett O’Hara em E Tudo o Vento Levou) e os outros, que fazem com que o filme vá perdendo intensidade, numa morte lenta e sofrida do pobre protagonista já sem forças. O guionista é sem dúvida o nosso próprio espírito, a nossa alma, a nossa vontade. Se me fosse concedido um desejo, por uma dessas fadas que às vezes aparecem aos sortudos das histórias de encantar, pediria guiões cheios de força para toda a gente, guiões que convertessem o medo e o desânimo em coragem e perseverança.

E cada vez mais se vendem às pessoas ilusões de caminhos demasiado fáceis e de metas suspeitosamente próximas. Os perseverantes costumam passar discretamente ao lado destes “negócios” e são os adversários, sempre vencedores, das lebres vaidosas que se deixam dormir confiantes da vitória. A sabedoria popular há muito que nos avisa que “Devagar se vai ao longe”, que “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e que “Depois da tempestade vem a bonança”.

Quanto aos golpes de sorte, claro que também existem e são sempre muito ”bem-vindos, mas sejamos sinceros... não custa chegar ao topo, custa manter-se lá. ”E para aqueles que nos sentimos mais azarados, não nos resta mesmo outra alternativa que contar connosco próprios nas nossas escaladas pessoais: e afinal essa é sempre a melhor carta!

Que a perseverança esteja sempre convosco.

Susana Catarino
Univ. Oviedo - Espanha