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Entrevista ao
Pe. Armando Tavares
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O Padre Armando Tavares é
professor de Educação Moral e Religiosa Católica
(EMRC), mais vulgarmente conhecida por Moral, na Escola E.B. 2,3/S
Pedro da Fonseca de Proença, sendo um dos professores mais
antigos no corpo docente desta escola. Este facto proporcionou a
seguinte entrevista: |
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Há quantos anos é
professor nesta escola?
Eu sou professor há 31 anos,
e comecei no ano de 1972/73 por dar aulas aqui em Proença no
antigo colégio diocesano. Com o 25 de Abril, e como a escola
foi ocupada pelos militares, fui obrigado a sair. Fui dois anos para
Cernache do Bonjardim, e estive mais cinco anos em Vila Viçosa.
Assim sendo estou aqui há 24 anos.
Já leccionou outras
disciplinas para além de Moral?
Sim, já leccionei
Português, História e Geografia de Portugal e Literatura
Portuguesa, mas sempre em simultâneo com a disciplina de Moral.
Que comparação faz
entre a juventude de antigamente e a juventude de agora?
Eu penso que, em geral, a juventude
é a mesma, o ambiente que a rodeia é que é
diferente, e isso leva a que tenham reacções e
interesses diferentes. Os problemas são os mesmos, mas
encarados de forma distinta. Vejamos, as perguntas que me eram
colocadas há 30 anos por um aluno de 9º ano, por exemplo
no campo da sexualidade, há 5 anos eram feitas por um aluno de
6º ano e agora já nem se fazem, já que é
completamente impensável fazê-las no ambiente actual em
que há muito mais diálogo e informação.
Acha que a escola tem
condições boas para a aprendizagem, ou há algo
que podia ser melhorado?
A escola tem boas
condições base, tem bom material, bibliotecas bem
equipadas, e tem professores efectivos competentes e dedicados, mas a
insegurança do resto do corpo docente prejudica, em parte, a
aprendizagem dos alunos. Penso que o maior problema é que o
ensino em geral está um pouco empobrecido pela falta de
exigência e de motivação, entre outros.
Sendo a EMRC uma disciplina de
cariz católico, já teve alunos de outras
religiões? Como foi essa experiência?
Em Vila Viçosa, tive um
aluno que se dizia Testemunha de Jeová, com o qual a
relação foi fácil, já que as suas
perguntas e até uma certa contestação deram
interesse e até facilitaram o trabalho. Esse aluno podia ser
até o modelo, porque dizia que era preferível aprender
a ficar sem fazer nada, ao contrário de alguns católicos
que por puro comodismo não se inscrevem na disciplina. O ano
passado, aqui em Proença tive dois alunos romenos, ortodoxos,
mas devido às dificuldades linguísticas não deu
sequer para me aperceber de grandes diferenças. As aulas de
Moral, sendo de formação geral e humana, poderão
e deverão ser frequentadas por qualquer aluno,
independentemente da sua confissão religiosa, não
são aulas de catequese.
Como vê, mais
especificamente, a disciplina de EMRC?
Uma formação de
pessoa, uma transmissão de valores universais e também
de cultura religiosa, até porque se estudam as outras religiões.
Acha que a disciplina de EMRC
devia ser obrigatória?
NÃO, o que deveria haver era
uma disciplina alternativa para os outros, devido à liberdade
religiosa, sobre a história das religiões e a
formação das pessoas, em que a nota final
contribuísse para a média final do aluno, e respectiva
transição de ano ou não.
Há alguns alunos que
dizem que já que Moral não conta para a média,
não vale a pena esforçarem-se e fazerem os trabalhos da
disciplina. Quer comentar esta situação?
Há um contra-senso na lei
quando obrigam o professor a avaliar, sem essa avaliação
contar para a média/transição do aluno. Isso
enfraquece a capacidade de exigência do professor e o
aproveitamento dos alunos. No entanto, isto também é
bom porque pode permitir que alguns alunos vejam a disciplina mais
num sentido de formação pessoal em vez de a verem como
uma obrigação. |