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Grande Entrevista
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O corpo docente da nossa
escola é interessado, estável e tem mostrado empenho e
dedicação no seu trabalho
afirmou o professor
João Manso, ao nosso jornal, em entrevista conduzida por
Mónica Boggio, do 10º ano, turma A. |
Mónica: Há quanto
tempo preside à direcção da escola?
Prof. João Manso:
Presido há 10 anos, entre os quais já fui presidente do
conselho directivo, presidente de duas comissões instaladoras
e durante três anos fui vice-presidente.
M.: Algum motivo especial o
levou a aceitar repetidas vezes este cargo?
Prof. J. M.: Ao
princípio, uma das razões que me levou a aceitar este
cargo foi o de necessidade, porque queria trabalhar em
Proença-a-Nova e uma das formas de garantir a minha
estabilidade era a de integrar a equipa que geria a escola. As
pessoas que trabalhavam comigo reconheceram que era um bom elemento
para a equipa deles e convidaram-me para fazer parte dela, e é
nesta altura que chego a vice-presidente e começo a
envolver-me com a parte da gestão da escola e a adquirir um
certo gosto pela área de gestão e
administração escolar. Ao longo destes anos contei
sempre com um conjunto de pessoas, muito competentes e interessadas,
que comigo trabalharam nos sucessivos conselhos executivos e que
muito contribuíram para o sucesso de uma equipa da qual eu
apenas sou o seu representante. É um cargo interessante e
positivo, na medida em que vemos os nossos alunos a sair daqui com o
12ºano, a entrar na universidade ou, pelo menos, a concluir a
escolaridade obrigatória, a tirar um curso profissional, que
estão bem na vida e gostam daquilo que fazem e vêm
à escola agradecer-nos, são estes os prémios que
nos compensam pelo nosso trabalho e se torna agradável estar
aqui. Neste momento é o projecto do agrupamento de escolas que
gostava que ficasse concluído e que as pessoas
começassem a trabalhar numa perspectiva de agrupamento.
M.: Quais os momentos mais
significativos da sua gestão?
Prof. J. M.: Em primeiro
lugar foi a mudança da escola antiga para esta nova (que
engloba os blocos A, B, C, e D), e depois a construção
dos blocos do secundário. Neste momento estamos a trabalhar no
agrupamento de escolas que é o conjunto de todas as escolas e
jardins de infância públicos pertencentes ao concelho de
Proença-a-Nova, vai desde o pré-escolar até ao
secundário. O objectivo deste agrupamento é desenvolver
uma linha recta entre os vários escalões etários
proporcionando aos alunos uma formação com um percurso
harmonioso e estável.
M.: Que sensação
se experimenta ao liderar uma escola com todos os escalões
etários? Seria melhor uma C+S ou apenas uma secundária?
Prof. J. M.: É bom e
complicado. O nosso maior problema não é haver uma C+S
ou uma secundária, mas sim a falta de alunos para isso. Talvez
se houvesse alunos, aí já fazia sentido essa
separação e nós então
apresentaríamos essa proposta ao Ministério da Educação.
M.: Como vê o corpo
docente da nossa escola? Houve alguma confusão na
colocação de professores?
Prof. J. M.: Está bem
em relação a outras escolas. Nós temos 85
professores. Eu acho que é um corpo docente interessado,
estável e tem mostrado empenho e dedicação no
seu trabalho. Em relação à
colocação de professores houve uma certa
confusão. Verificou-se no início numa turma do 1º
Ciclo de Proença-a-Nova, numa turma da escola da Moita e numa
outra na Pedra do Altar. Mas é o sistema que cria estas
situações, e nós não podemos fazer nada.
M.: Que comentários
poderá fazer sobre a classificação da nossa
escola no ranking nacional e distrital? Está satisfeito com
esta classificação?
Prof. J. M.: A nossa escola
no ranking distrital está boa, mas no ranking nacional gostava
que estivéssemos numa melhor posição, mas estou
satisfeito com a nossa classificação, claro.
M.: Poderia, por ventura, a
nossa escola fazer melhor?
Prof. J. M.: Sim. Quero que
sejamos os primeiros da Beira Interior e não nos podemos
encostar à sombra da bananeira, isto é,
temos que fazer e dar sempre o nosso melhor. E não querendo
ser muito ambicioso, desejava estar melhor a nível nacional.
Tenho a certeza que a variação da posição
do ranking cada vez mais será o reflexo do bom
trabalho feito em todo o Agrupamento, ou seja é como dizer que
um aluno que conclua o 12º ano com boas notas, é o
resultado do somatório de toda a formação
positiva que o aluno teve desde o pré-escolar até ao
12º ano.
M.: Porventura os nossos
estudantes criam problemas graves que afectam o bom funcionamento da
escola? Se sim, quais?
Prof. J. M.: Eu considero
que os alunos que nós temos cá, na escola, não
causam muitos problemas, antes, pelo contrário, são
alunos bons, quer no comportamento, quer na aquisição
de saberes.
M.: Os encarregados de
educação colaboram com a escola, ou demitem-se das suas funções?
Prof. J. M.: Sim colaboram.
O facto de nós termos bons alunos deve-se sobretudo à
educação incutida pelos pais e isto revela o interesse
destes pelos filhos. Mas poderiam colaborar mais, vindo
frequentemente à escola, integrarem-se e participarem mais nas
actividades escolares. Esta situação é normal,
uma vez que, quando os filhos estão no pré-escolar,
nota-se uma maior colaboração por parte dos pais,
porque os filhos são pequenos e necessitam de muito apoio.
Quando eles se tornam adolescentes, vê-se um certo
desprendimento dos pais, pela simples razão dos filhos
já conseguirem sozinhos, resolver as situações.
M.: E a comunidade local,
nomeadamente as instituições, colaboram com a escola?
Prof. J. M.: Sim, não
temos razão de queixa. Temos uma Câmara que nos tem
auxiliado sempre, temos as Juntas de Freguesia e algumas empresas que
nos ajudam, e em geral as pessoas aceitam bem a escola.
M.: Quais são as
prioridades, neste momento, da nossa escola a nível material e tecnológico?
Prof. J. M.: A nível
material e tecnológico nós estamos bem equipados.Com o
passar dos anos, dão-se avanços tecnológicos e
nós conseguimos subsistir às mudanças
tecnológicas. Há alguma falta de materiais nos
laboratórios de Química e de Física e
também na Educação Física falta alguns
equipamentos de ginástica.
M.: Quais são as maiores
dificuldades com que se debate a escola?
Prof. J. M.: Relativamente
às estruturas e instalações, as maiores
dificuldades que a escola tem neste momento são as seguintes:
encontrar uma solução para a falta de espaço de
recreio para os alunos, que devido à construção
dos blocos do secundário diminuíram, insistir com a
DREC para a construção da ligação do bar
com os blocos F e E de modo que estes fiquem cobertos, para, nos dias
de chuva, os alunos não se molharem e finalmente por ser
pequena e o equipamento já se encontrar degradado propor
à DREC a realização de obras de melhoramento na
zona de lavagem do refeitório. Relativamente aos alunos o
maior problema é a falta deles alunos para os
cursos profissionais que nós queremos abrir, semelhantes aos
que existem nas outras escolas, com as mesmas regalias e meios, para
evitar a saída dos nossos alunos para outros concelhos
afastando-os das suas casas e finalmente a falta de estabilidade na
legislação dos currículos do Ensino
Secundário e do Ensino Básico.
M.: Concorda com a
política governamental para a educação?
Prof. J. M.: O meu problema
não é a política governamental deste governo. Eu
acho que o problema na educação é a
instabilidade das reformas sucessivas, ou seja não existe um
pacto entre os governos que tenha como preceito governar durante um
determinado período de tempo e estabelecer um determinado
conjunto de políticas e medidas que não poderiam ser
alteradas durante um determinado tempo, mas primeiro teriam que fazer
um estudo fundamentado sobre as necessidades e dificuldades do nosso
sistema educativo, e depois com o pacto já estabelecido e a
boa vontade de todos, chegar a um acordo, evitando desta forma
alterações e mudanças prejudiciais ao bom
funcionamento das escolas.
M.: Se fosse Ministro, que
reformas faria para melhorar o ensino?
Prof. J. M.: Segundo o que
eu referi, eu procuraria fazer um estudo profundo das
soluções para a educação em todos os
aspectos, na gestão, nos currículos, nos grupos de
professores, nos funcionários, nos alunos, nos Encarregados de
Educação e tentaria uniformizar tudo num só ramo
de forma a garantir uma estabilidade que durasse pelo menos um certo
período de tempo para todo o ensino. |