Ano XII - Jornal N.º 25 - Dezembro de 2004

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Grande Entrevista

Prof. João Manso

 

 

“O corpo docente da nossa escola é interessado, estável e tem mostrado empenho e dedicação no seu trabalho”

– afirmou o professor João Manso, ao nosso jornal, em entrevista conduzida por Mónica Boggio, do 10º ano, turma A.

Mónica: Há quanto tempo preside à direcção da escola?
Prof. João Manso: Presido há 10 anos, entre os quais já fui presidente do conselho directivo, presidente de duas comissões instaladoras e durante três anos fui vice-presidente.

M.: Algum motivo especial o levou a aceitar repetidas vezes este cargo?
Prof. J. M.: Ao princípio, uma das razões que me levou a aceitar este cargo foi o de necessidade, porque queria trabalhar em Proença-a-Nova e uma das formas de garantir a minha estabilidade era a de integrar a equipa que geria a escola. As pessoas que trabalhavam comigo reconheceram que era um bom elemento para a equipa deles e convidaram-me para fazer parte dela, e é nesta altura que chego a vice-presidente e começo a envolver-me com a parte da gestão da escola e a adquirir um certo gosto pela área de gestão e administração escolar. Ao longo destes anos contei sempre com um conjunto de pessoas, muito competentes e interessadas, que comigo trabalharam nos sucessivos conselhos executivos e que muito contribuíram para o sucesso de uma equipa da qual eu apenas sou o seu representante. É um cargo interessante e positivo, na medida em que vemos os nossos alunos a sair daqui com o 12ºano, a entrar na universidade ou, pelo menos, a concluir a escolaridade obrigatória, a tirar um curso profissional, que estão bem na vida e gostam daquilo que fazem e vêm à escola agradecer-nos, são estes os prémios que nos compensam pelo nosso trabalho e se torna agradável estar aqui. Neste momento é o projecto do agrupamento de escolas que gostava que ficasse concluído e que as pessoas começassem a trabalhar numa perspectiva de agrupamento.

M.: Quais os momentos mais significativos da sua gestão?
Prof. J. M.: Em primeiro lugar foi a mudança da escola antiga para esta nova (que engloba os blocos A, B, C, e D), e depois a construção dos blocos do secundário. Neste momento estamos a trabalhar no agrupamento de escolas que é o conjunto de todas as escolas e jardins de infância públicos pertencentes ao concelho de Proença-a-Nova, vai desde o pré-escolar até ao secundário. O objectivo deste agrupamento é desenvolver uma linha recta entre os vários escalões etários proporcionando aos alunos uma formação com um percurso harmonioso e estável.

M.: Que sensação se experimenta ao liderar uma escola com todos os escalões etários? Seria melhor uma C+S ou apenas uma secundária?
Prof. J. M.: É bom e complicado. O nosso maior problema não é haver uma C+S ou uma secundária, mas sim a falta de alunos para isso. Talvez se houvesse alunos, aí já fazia sentido essa separação e nós então apresentaríamos essa proposta ao Ministério da Educação.

M.: Como vê o corpo docente da nossa escola? Houve alguma confusão na colocação de professores?
Prof. J. M.: Está bem em relação a outras escolas. Nós temos 85 professores. Eu acho que é um corpo docente interessado, estável e tem mostrado empenho e dedicação no seu trabalho. Em relação à colocação de professores houve uma certa confusão. Verificou-se no início numa turma do 1º Ciclo de Proença-a-Nova, numa turma da escola da Moita e numa outra na Pedra do Altar. Mas é o sistema que cria estas situações, e nós não podemos fazer nada.

M.: Que comentários poderá fazer sobre a classificação da nossa escola no ranking nacional e distrital? Está satisfeito com esta classificação?
Prof. J. M.: A nossa escola no ranking distrital está boa, mas no ranking nacional gostava que estivéssemos numa melhor posição, mas estou satisfeito com a nossa classificação, claro.

M.: Poderia, por ventura, a nossa escola fazer melhor?
Prof. J. M.: Sim. Quero que sejamos os primeiros da Beira Interior e não nos podemos “encostar à sombra da bananeira”, isto é, temos que fazer e dar sempre o nosso melhor. E não querendo ser muito ambicioso, desejava estar melhor a nível nacional. Tenho a certeza que a variação da posição do “ranking” cada vez mais será o reflexo do bom trabalho feito em todo o Agrupamento, ou seja é como dizer que um aluno que conclua o 12º ano com boas notas, é o resultado do somatório de toda a formação positiva que o aluno teve desde o pré-escolar até ao 12º ano.

M.: Porventura os nossos estudantes criam problemas graves que afectam o bom funcionamento da escola? Se sim, quais?
Prof. J. M.: Eu considero que os alunos que nós temos cá, na escola, não causam muitos problemas, antes, pelo contrário, são alunos bons, quer no comportamento, quer na aquisição de saberes.

M.: Os encarregados de educação colaboram com a escola, ou demitem-se das suas funções?
Prof. J. M.: Sim colaboram. O facto de nós termos bons alunos deve-se sobretudo à educação incutida pelos pais e isto revela o interesse destes pelos filhos. Mas poderiam colaborar mais, vindo frequentemente à escola, integrarem-se e participarem mais nas actividades escolares. Esta situação é normal, uma vez que, quando os filhos estão no pré-escolar, nota-se uma maior colaboração por parte dos pais, porque os filhos são pequenos e necessitam de muito apoio. Quando eles se tornam adolescentes, vê-se um certo desprendimento dos pais, pela simples razão dos filhos já conseguirem sozinhos, resolver as situações.

M.: E a comunidade local, nomeadamente as instituições, colaboram com a escola?
Prof. J. M.: Sim, não temos razão de queixa. Temos uma Câmara que nos tem auxiliado sempre, temos as Juntas de Freguesia e algumas empresas que nos ajudam, e em geral as pessoas aceitam bem a escola.

M.: Quais são as prioridades, neste momento, da nossa escola a nível material e tecnológico?
Prof. J. M.: A nível material e tecnológico nós estamos bem equipados.Com o passar dos anos, dão-se avanços tecnológicos e nós conseguimos subsistir às mudanças tecnológicas. Há alguma falta de materiais nos laboratórios de Química e de Física e também na Educação Física falta alguns equipamentos de ginástica.

M.: Quais são as maiores dificuldades com que se debate a escola?
Prof. J. M.: Relativamente às estruturas e instalações, as maiores dificuldades que a escola tem neste momento são as seguintes: encontrar uma solução para a falta de espaço de recreio para os alunos, que devido à construção dos blocos do secundário diminuíram, insistir com a DREC para a construção da ligação do bar com os blocos F e E de modo que estes fiquem cobertos, para, nos dias de chuva, os alunos não se molharem e finalmente por ser pequena e o equipamento já se encontrar degradado propor à DREC a realização de obras de melhoramento na zona de lavagem do refeitório. Relativamente aos alunos o maior problema é a falta deles “alunos” para os cursos profissionais que nós queremos abrir, semelhantes aos que existem nas outras escolas, com as mesmas regalias e meios, para evitar a saída dos nossos alunos para outros concelhos afastando-os das suas casas e finalmente a falta de estabilidade na legislação dos currículos do Ensino Secundário e do Ensino Básico.

M.: Concorda com a política governamental para a educação?
Prof. J. M.: O meu problema não é a política governamental deste governo. Eu acho que o problema na educação é a instabilidade das reformas sucessivas, ou seja não existe um pacto entre os governos que tenha como preceito governar durante um determinado período de tempo e estabelecer um determinado conjunto de políticas e medidas que não poderiam ser alteradas durante um determinado tempo, mas primeiro teriam que fazer um estudo fundamentado sobre as necessidades e dificuldades do nosso sistema educativo, e depois com o pacto já estabelecido e a boa vontade de todos, chegar a um acordo, evitando desta forma alterações e mudanças prejudiciais ao bom funcionamento das escolas.

M.: Se fosse Ministro, que reformas faria para melhorar o ensino?
Prof. J. M.: Segundo o que eu referi, eu procuraria fazer um estudo profundo das soluções para a educação em todos os aspectos, na gestão, nos currículos, nos grupos de professores, nos funcionários, nos alunos, nos Encarregados de Educação e tentaria uniformizar tudo num só ramo de forma a garantir uma estabilidade que durasse pelo menos um certo período de tempo para todo o ensino.