Ano XI - Jornal N.º 20 - Maio de 2002

Edição ON LINE









Cantinho dos Escritores

Nem só de Pão vive o Homem

A sociedade tem vindo ao longo dos tempos a transformar-se adoptando valores que, por vezes, não são os mais correctos. Aqueles sentimentos mais puros foram esquecidos para dar lugar a novos valores que se dizem “modernos”.

A vida agitada que levamos, não nos deixa tempo para pensar nos outros, acabamos por nos tornar egocêntricos e, para singrarmos na vida, chegamos a “pisar” os que nos rodeiam.

O mal dominante neste século, na minha modesta opinião, é, sem dúvida, o materialismo. O ser humano vive agarrado aos bens terrenos, facto que a sociedade tem vindo a promover. Poucos são os que resistem e os que o fazem acabam por ser postos de parte, embora sejam os que vivem mais felizes.

Todos os dias, somos “bombardeados”, manipulados através da publicidade existente nos meios de comunicação... É a roupa, os ténis, os produtos da moda... todos os procuram, dizer que não seria mentir. São, sem dúvida, os jovens os mais afectados, são eles o alvo de grande parte dos anúncios, deixando-se levar pelas cantigas de empresários que querem enriquecer às suas custas.

Exigem aos pais coisas que, por vezes, não têm condições financeiras para dar, acabando por prescindir de bens necessários para satisfazer caprichos fúteis dos filhos. Estes, por sua vez, se não tiverem o telemóvel, os ténis, a mochila, tudo de marca, vêem-se afastados da elite, do grupo “vip” da escola ou do bairro.

Assim, para se ser amigo de alguém, é só preciso ter roupa de marca, ou seja, a amizade, o carinho e o amor passam a ser valores do passado que se vão enterrando a cada dia. Mas, como o próprio título nos indica, «nem só de pão vive o homem» e é a fome do espírito aquela que é a mais difícil de nutrir.

Rita Bandeiras – 11ºA