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Ano XI - Jornal N.º 20 - Maio de 2002 |
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Editorial Estamos no final de mais um ano lectivo e duas ideias se unem no mesmo sentido positivo: está quase vencida mais uma etapa da vida escolar e aproxima-se a interrupção gratificante das férias para dar novo impulso a mais outro ano. No início, cada ano traz as suas expectativas. O que agora está a terminar, tendo começado sob o fumo dos sombrios acontecimentos do 11 de Setembro, na América, pareceu introduzir-nos numa visão nova das relações internacionais e (porquê não?) interpessoais. Na verdade, de um momento para o outro, o cidadão comum sentiu como que um terramoto na sua segurança e várias questões lhe poderão ter vindo ao pensamento: E se um dos meus vizinhos sempre insuspeitado resolve prejudicar-me de alguma maneira?. Se algum dia um operário ou funcionário, anonimamente, se decidir desforrar nos familiares do patrão ou do superior hierárquico? Também não tem sido ficção alunos vingarem-se de professores ou colegas, ainda que casos isolados, talvez fruto das deficiências não suspeitadas de educação e doutros factores, mas sempre empoladas pela comunicação social como prato forte. Por outro lado, se os que se consideravam suficientemente seguros e em tempo de paz, sofreram actos de terrorismo, como se sentirão os mais pequenos e os desprevenidos? Neste contexto e levada também por outros factores, a Escola Pedro da Fonseca debruçou-se, neste ano, sobre o tema da Paz que os adolescentes e os jovens muito apreciam, apesar da sua natural agressividade na procura e construção da identidade própria. E porquê a Paz? passe o aparente despropósito da pergunta. A sua conquista não levará, por um lado, ao domínio do mundo, a uma espécie de pax romana, ao serviço de interesses político-económicos? Mas, por outro, não será o caminho necessário para a construção da aldeia global, baseada em valores democráticos de igualdade de direitos, solidariedade, tolerância, justiça, portanto de respeito pelas minorias? Todos desejamos a segunda hipótese, sem dúvida, e tememos a primeira, embora a omnipresente tentação maquiavélica do poder a possa transformar em utopia. É evidente que a paz é um valor universal, segundo os sinais observados através do mundo: a ONU tem multiplicado esforços de entendimento em vários conflitos armados e declarou 2000 Ano Internacional da Cultura da Paz; a Europa, outrora um mosaico de principados, reinos e impérios egocêntricos, anda, agora como Comunidade Europeia, na realização de uma União de Paz (depois de ter experimentado duas vergonhosas guerras mundiais). Lembre-se o Ano Internacional da Tolerância de há poucos anos; o Dia Mundial da Paz (1º. de Janeiro) com apelos constantes do Papa, desde que foi instituído em 1968, ao respeito pelos Direitos do Homem, inclusive a satisfação das suas necessidades fundamentais; os nunca vistos encontros inter-religiosos para superar a tentação do fundamentalismo e descobrir o caminho comum da Paz; as jornadas ou reflexões colectivas em vários locais; a marcha pela Paz, objectivo último da Área-Escola deste ano. Ao vencer-se esta etapa anual, poder-se-á ficar com a consciência do dever cumprido sobre este tema? E os pais? Que modelo de paz temos transmitido aos nossos filhos? Têm alguns professores ambulantes reconhecido que esta Escola é um cantinho do céu. Mas há ventos de mudança pois a globalização da cultura também cá chega. E, provavelmente, serão necessários muitos Dia da Paz e marchas a favor da Paz com acções concretas (os exemplos arrastam ainda?) para que as gerações vindouras, mais cultas e informadas, procurem a perfeição dos indivíduos e das sociedades. Atenção! Enquanto houver necessidades básicas a satisfazer (educação, saúde, trabalho) a Paz será Utopia. Bom final de ano e boas férias! |
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Desenho de Ana
Sofia Martins, 9º B