Ano XI - Jornal N.º 20 - Maio de 2002

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Aviso Ecológico
Consciência Ambiental

Numa organização do Clube da Floresta e com o apoio da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, tivemos a honra de ter entre nós, no dia 5 de Março deste ano, o Dr. Jorge Paiva, biólogo e conferencista, que veio sensibilizar os alunos do 7º. Ano para a consciência ambiental. A conferência realizou-se no Auditório Municipal de Proença-a-Nova e dela se colheram alguns respigos.

Até ao séc. XV/XVI, em Portugal, predominava a floresta do carvalho negral. Mas com a necessidade de construção de naus para a manutenção do império português, foram abatidos cinco milhões durante dois ou três séculos, pois sabe-se que para construir uma nau eram necessários 3000 carvalhos, que demoram muitos anos a tornar-se adultos. Este facto levou ao desaparecimento quase total desta floresta de carvalhos. Para compensar, decidiu-se replantar a floresta, mas desta vez com pinheiros.

O teixo (taxus), planta toda ela venenosa, pois tiveram os Lusitanos de o substituir pelo cipreste (cupressus) junto dos cemitérios porque os cavalos, enquanto se realizavam as cerimónias fúnebres, comiam e depois morriam, quase desapareceu. Mas ainda bem que não desapareceu, porque a partir das sementes venenosas se pode fabricar um produto medicinal, o taxol que, administrado em quantidades mínimas, pode curar mesmo determinados cancros.

Voltando às florestações de pinea, sabemos que este foi importante durante muitos anos, porque dele se podia retirar a lenha, a caruma, as pinhas e também madeira para as celuloses. Como não há variedade de árvores em certas zonas, se surgir uma praga, a calamidade será maior. Também devido às exigências de exploração económica se florestou, de há uma década a esta parte, eucaliptando. Além de retirarem a água do solo e dos adubos para que o crescimento seja rápido, está-se em vias de arenização dos solos, o que contribuirá para a desertificação das serras portuguesas. A somar a estes factores também a desertificação humana e a ausência de um serviço florestal que planifique a diversidade botânica contribuem para que um fogo começado não seja socorrido pelos locais, ou seja, de forma penosa pelos bombeiros de vocação urbana.

Salvaguardar a diversidade e pensar no futuro é obrigatório, porque passadas algumas décadas restará apenas deserto.

Recorde-se que dois fogos sucessivos sem reflorestação levam a que a chuva faça avançar do cume para o vale as terras, outrora presas pelas árvores, e a desertificação física alastre, como já alastrou a humana.

Podemos pensar que, se a diversidade botânica diminui, certas espécies animais desaparecerão por falta de condições. Salvaguardar a floresta diversificada é salvaguardar o futuro. Um país sem mar como a Suiça só deixa abater árvores depois de por cada dez a abater se plantarem doze.

Ninguém vê, ninguém prevê, mas estamos a matar o futuro dos nossos filhos. É urgente reflorestar diversificando!

Prof. Paulo Baptista