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Ano X - Jornal N.º 18 - Maio de 2001 - Edição ON LINE |
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Peça Séria da Récita dos Finalistas O Espantalho (O espantalho deve estar com a cabeça baixa e iniciar a peça e espreguiçar-se)
_ Como tudo está mudado! (Voz de admiração, falando para o ar como se não visse a plateia. Subitamente lembra-se da realidade e diz): _ Lembram-se de mim? Aquele espantalho que vivia rodeado de cantares alegres vindos da boca das ceifeiras, lembram? Belos tempos aqueles..... Todos estavam contentes, riam e até eu, pobre espantalho, ficava feliz em vê-los. Sim feliz, porque eu apesar de espantalho sinto,penso e por isso hoje ao olhar em meu redor não me rio, choro. Não choro por mim, mas pelo mundo que me sufoca. Choro pelos pobres mendigos no chão dormindo que abordam quem passa rastejando, pedindo; pelos países em guerra,pelas atrocidades cometidas. Que direitos têm eles pra acabarem com vidas? Choro pelos jovens fracos que não conseguem lutar contra o álcool, contra as drogas que os vão matar. Choro lágrimas sentidas de sangue e de dor porque esta sociedade não sabe o que é o amor. Vivem correndo, sofrem sozinhos,não falam para estranhos pois podem ser assassinos. - Já chega! (pausa curta) Se eu sou espantalho e vivo a sentir, por que razão vocês homens vivem a fingir? Fingem que são o que querem ser e esquecem-se do que é viver. Jovens, isto é para vocês. Querem um exemplo? Esta estrada que aqui vejo igual a tantas deste país deita por terra os sonhos de quem queria ser feliz. Como o Fernando, a Ana, o Bruno, os Filipes. (Pausa de 1 minuto onde os finalistas devem dar as mãos)
Morrem jovens os que os deuses amam dizia o poeta. Talvez não seja verdade... Se os deuses nos amam verdadeiramente só poderão dizer... (Todos dão as mãos e dizem em coro): NÃO VIVAM A CORRER! VIVAM A VALER! (O espantalho descai a cabeça como se quisesse descansar). Fim |
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