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Ano XII - Jornal N.º 22 - Junho de 2003 |
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Não pares de lutar! Sentado numa cadeira, olhando para o céu, estava João pensando... João era um rapaz muito sonhador, apenas com quatro anos ambicionava ser astronauta, viajar, conhecer tudo e todos; enfim, sonhos de criança. Com doze anos, ele apercebeu-se do que era realmente o mundo. Infelizmente descobriu que não era um mundo cor-de-rosa como pensava, mas um mundo cruel, injusto, egoísta... Contudo, João, reafirmando a sua faceta de utópico, ambicionava mudar o mundo para melhor. Cresceu e sempre ouviu seu pai dizer para não parar de lutar, pois a vida é uma batalha a travar que só nós podemos vencer. Passaram-se mais alguns anos, até João acabar o seu curso de medicina. Sempre com o bichinho dentro dele dizendo-lhe ao ouvido, para tentar tornar o mundo melhor. Auxiliou muitas e muitas pessoas, não tendo em conta a raça, a cor, a idade, as preferências sociais, políticas, o sexo, a situação social... Durante toda a sua carreira como médico deu sempre o seu melhor. Mesmo assim, achava que o que tinha feito lhe sabia a pouco. Então ingressou e organizou muitas manifestações pela igualdade dos direitos humanos e, essencialmente, a paz. Ficou conhecido por ser o único branco, naquela época, a defender a raça negra na luta contra a escravidão e o desprezo. Lutou pela igualdade de direitos entre humanos, até que foi preso. Preso, porque estava a despertar a raça negra para as coisas a que tinham direito pois, afinal, são humanos como todos nós. João saiu da prisão, passado um ano, sendo considerado um lutador e um herói. Mas para ele, tudo o que tinha feito era a ponta de um iceberg em relação ao que se pode fazer para tornar o mundo melhor. Até que um dia, João, já com uma certa idade, sentiu uma coisa estranha dentro de si. Não sabia ao certo o que era, por isso não ligou. Foi dar o seu passeio de costume, para manter a forma, e no caminho observou uma nave e reparou que o perseguia. Seriam ladrões? Seria um OVNI? O que queriam de um velho inofensivo? Dinheiro? Deve ser o mais certo, pensou ele. Começou a correr, cada vez mais e mais depressa, apercebendo-se de que a nave não o deixava fugir. João estava ainda longe de casa e a sua tentativa de fuga era em vão. Olhou em seu redor e estava só. O que é que eu fiz para merecer isto, pensou ele. Tremendo dos pés à cabeça, sentia-se como uma agulha num palheiro. Sem hipóteses de se salvar deixou-se arrastar por uma força, em direcção à nave. Fechou os olhos e deparou-se com um extraterrestre. Por incrível que pareça, João perdeu o medo, mas ficou ainda com um certo receio. Enquanto estava ainda a adaptar-se a toda aquela situação, pensou como havia de comunicar com eles, se no seu entender eram extraterrestres, e não percebiam a sua língua. Não custa nada tentar, pensou ele. - Olá! Tudo bem? De que galáxia são? - Vimos da galáxia 007, missão cumprida. - Vocês percebem-me? Como? - Nós somos enviados de Deus! - O quê? Não são extraterrestres? Então o que querem de mim? - Extraterrestres? Não senhor, somos os anjos da recompensa. Daí vem o nome da nossa galáxia. Queremos fazer-te um convite... - Um convite? Qual? - De realizares parte do teu sonho de criança. Vais conhecer a tua galáxia. - Uuaauuu!!! Mas porque é que me estão a fazer isto? - Deus achou que te deveria recompensar, por tudo o que fizeste. Visitaram os nove planetas. João ficou maravilhado e agradecido por tudo isto. De volta à Terra, escreveu um livro, a contar a sua experiência de vida e encorajar as pessoas a lutarem pelos seus sonhos que, por mais difíceis de alcançar que pareçam, hão de ter uma recompensa. Com tudo isto, João termina assim o seu livro: Não me arrependo de nada do que fiz. Tudo valeu a pena! João Farinha, n.º 17 - 9º A 3º Prémio, Prosa, Escalão B |
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