Ano X - Jornal N.º 19 - Dezembro de 2001

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Os Nossos Escritores

Segredos do Diabo

Era uma vez um mendigo sem casa que dormia, debaixo da ponte, perto da aldeia.

Um dia acordou, à meia-noite, e encontrou o Diabo e as bruxas em discussão.

Uma das bruxas levantou-se e perguntou ao Diabo:

- Ó meu grande mestre, se faltar água na fonte, que farei eu?

Responde-lhe o Diabo:

- Sobe ao monte da nascente e bate 3 vezes com uma vara numa pedra branca, e a água vai correr na fonte.

Continuou a segunda bruxa:

- Ó senhor do mal, se alguém adoecer que devo eu fazer?

- Coloca-lhe umas vestes vermelhas e manda-o dar três

voltas à azinheira da praça. A quarta volta estará curado. - respondeu-lhe o mestre.

Prosseguiu a terceira bruxa:

- Ó rei dos Infernos, se as ratazanas atacarem os meus celeiros, que posso eu fazer?

- Vai ao vale da oliveiras, e faz um grande fumadeiro. Quando lá voltares, não vais encontrar ratos.

E assim continuou pela noite dentro a revelação do diabo às bruxas.

Dias depois, ia o mendigo pela aldeia a pedir esmola, quando passou por ele um grupo de mulheres arreliadas, com os cântaros nas mãos, mas a fonte da aldeia estava seca. O mendigo, lembrando-se do que tinha ouvido algum tempo atrás, prometeu fazer a água correr de novo, se fosse mais tarde recompensado.

Assim lá foi procurar a nascente, seguiu as instruções do Diabo, e quando regressou, a água tinha voltado. Toda a aldeia pensou que ele tinha o dom de fazer brotar a água, de curar doentes, salvar as colheitas, acabar com a fome...

Com o tempo tornou-se rico e conhecido.

As bruxas acabaram por ser culpadas e amaldiçoadas pelo Diabo porque revelaram os segredos.

Liliana Alves 10°D