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Os Poetas
Simbologias
Chove lá fora
Cá dentro neva:
Tristeza, nostalgia, desalento.
Que farei, agora,
Entorpecido de solidão,
Atreito ao ciúme, em sofrimento,
Cheio de vácuo o coração?
Tombei!
O olhar vago,
A expressão hirta,
Os bíceps flácidos,
Tensos os gémeos;
O gosto amargo
Ruminando ácidos,
Frente à lareira que crepita...
Cansei-me dos homens!
Eu sei:
São todos génios,
Todos são!
Só eu sonhei!...
Surge et ambula!
Martela-me a indiferença:
Reflexo continuado,
Trotam tiques na medula...
Esparsos pingos de incontinência
Re-verberam o amuado;
Fibra a fibra descongestionados,
Cada um à vez, respondendo
Os músculos há pouco espasmados,
Comanda-os a mente iluminada,
Ao torpor nova ordem cometendo...
Ao letargo sobrevem a vida nova!
É esta a humana condição:
Renovar-se com cada boa nova,
Dar sumiço a qualquer perdição!
Gil - Hieme/2002 |