Ano XI - Jornal N.º 21 - Dezembro de 2002

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Os Poetas

Simbologias

        Chove lá fora
        Cá dentro neva:
        Tristeza, nostalgia, desalento.
        Que farei, agora,
        Entorpecido de solidão,
        Atreito ao ciúme, em sofrimento,
        Cheio de vácuo o coração?
         
        Tombei!
         
        O olhar vago,
        A expressão hirta,
        Os bíceps flácidos,
        Tensos os gémeos;
        O gosto amargo
        Ruminando ácidos,
        Frente à lareira que crepita...
         
        Cansei-me dos homens!
        Eu sei:
        São todos génios,
        Todos são!
        Só eu sonhei!...
         
        Surge et ambula!
         
        Martela-me a indiferença:
        Reflexo continuado,
        Trotam tiques na medula...
        Esparsos pingos de incontinência
        Re-verberam o “amuado”;
        Fibra a fibra descongestionados,
        Cada um à vez, respondendo
        Os músculos há pouco espasmados,
        Comanda-os a mente iluminada,
        Ao torpor nova ordem cometendo...
         
        Ao letargo sobrevem a vida nova!
        É esta a humana condição:
        Renovar-se com cada boa nova,
        Dar sumiço a qualquer perdição!

Gil - Hieme/2002