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Autor do Mês - Janeiro 2011

Miguel Torga

Nasceu a 12 de Agosto de 1907, em São Martinho de Anta, concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real. Proveniente de uma família humilde, Torga teve uma dura infância rural, que lhe deu a conhecer a realidade do campo, sem bucolismos, feita de árduo trabalho contínuo. Após uma breve passagem pelo seminário de Lamego, emigrou com 13 anos para o Brasil, onde exerceu, durante cinco anos, ofícios típicos de trabalhador rural na fazenda de um tio, em Minas Gerais. De regresso a Portugal, em 1925, concluiu o ensino liceal e frequentou em Coimbra o curso de Medicina, que terminou em 1933. Exerceu a profissão de médico em São Martinho de Anta e em outras localidades do país, fixando-se definitivamente em Coimbra, como otorrinolaringologista, em 1941.

Em 1934, ao publicar o ensaio intitulado A terceira voz, o médico Adolfo Rocha adopta expressamente o nome de Miguel Torga. Associando o fitónimo “torga” – evocativo de resistência e de pertinaz ligação à terra, propriedades de um pequeno arbusto do mesmo nome - a "Miguel" -

 nome de escritores ibéricos (Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno), de artista visionário e genial (Miguel Ângelo) e de Arcanjo com forte motivação semântica (Quem como Deus), o poeta (então, com apenas 27 anos) escolhe um programa ético e estético centrado no confessionalismo e na busca de autenticidade.

A dominante autobiográfica é, de resto, uma marca geracional. Não pode esquecer-se que Torga viria a participar, por pouco tempo, no movimento da Presença, vindo a demarcar-se dele, não tanto por força de divergências substantivas mas em virtude de um fortíssimo impulso individualista. A essa luz de obstinada independência ganha também importância a forte relação que o autor mantém com a terra natal. A partir de certa altura, a dialéctica entre aproximação e distância  fixa-se essencialmente em torno de Coimbra (a “Agarez alfabeta”) e das fragas maternais de Trás-os-Montes, onde o poeta volta ciclicamente, sobretudo por ocasião do Natal. Nessa medida, bem pode dizer-se que o regresso constitui, ao mesmo tempo, um prémio e uma revalidação do preito à terra.

A sua obra, recheada de simbologia bíblica, encontra-se, antes, imersa num sentido divino que transfigura a natureza e dignifica o homem no seu desafio ou no seu desprezo face ao divino. A ligação à terra, à região natal, a Portugal, à própria Península Ibérica e às suas gentes, é outra constante dos textos do autor. Ela justifica o profundo conhecimento que Torga procurou ter de Portugal e de Espanha, unidos no conceito de uma Ibéria comum, pela rudeza e pobreza dos seus meios naturais, pelo movimento de expansão e opressões da História, e por certas características humanas definidoras da sua personalidade. A intervenção cívica de Miguel Torga, na oposição ao Estado Novo e na denúncia dos crimes da guerra civil espanhola e do regime franquista, valeu-lhe a apreensão de algumas das suas obras pela censura e a prisão pela polícia política portuguesa.

É autor de uma obra extensa e diversificada, compreendendo poesia, diário, ficção (contos e romances), teatro, ensaios e textos doutrinários. As suas obras com maior relevo são Rampa (1930), O Outro Livro de Job (1936), Lamentação (1943), Nihil Sibi (1948), Cântico do Homem (1950), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (1954), Orfeu Rebelde (1958) e Diário X (constituído por 16 volumes escritos entre 1941 e 1994)

Foram-lhe atribuídos, entre outros, o prémio Diário de Notícias (1969), o Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist (1976), o prémio Morgado de Mateus, ex-aecquo com C. Drummond de Andrade (1980), o prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S., (1981), o prémio Camões (1989), o prémio Personalidade do Ano (1991), o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1992) e o Prémio da Crítica, consagrando a sua obra (1993).

Adolfo Correia da Rocha/Miguel Torga faleceu a 17 de Janeiro de 1995 na cidade de Coimbra.

Bibliografia Activa

Prosa:

Pão Ázimo, 1931

A Terceira Voz, 1934

A Criação do Mundo, os Dois Primeiros Dias, 1937

O Terceiro Dia da Criação do Mundo, 1938

O Quarto Dia da Criação do Mundo, 1939

Bichos, 1940

Contos da Montanha, 1941

O Senhor Ventura, 1943

Um Reino Maravilhoso, 1941

Trás-os-Montes, 1941

Conferência, 1941

Rua, 1942

Portugal, 1950

Pedras Lavradas, 1951

Novos Contos da Montanha, 1944

Vindima, 1945

Romance:

Traço de União, 1955

O Quinto Dia da Criação do Mundo, 1974

Fogo Preso, 1976

O Sexto Dia da Criação do Mundo, 1981

Teatro:

Terra Firme, 1941

Mar, 1941

O Paraíso, 1949

Sinfonia, 1947

Poema Dramático, 1946

Poesia e Prosa:

Diário (1º Volume), 1941

Diário, (3º Volume), 1946

Diário, (4º Volume), 1949

Diário, (5º Volume), 1951

Diário, (6º Volume), 1953

Diário, (7º Volume), 1956

Diário, (8º Volume), 1959

Diário, (9º Volume), 1964

Diário, (10º Volume), 1968

Diário, (11º Volume), 1973

Diário, (12º Volume), 1977Antologia Poética, 1981.


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