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Autor do Mês - Janeiro 2011 Miguel Torga
nome de escritores ibéricos (Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno), de artista visionário e genial (Miguel Ângelo) e de Arcanjo com forte motivação semântica (Quem como Deus), o poeta (então, com apenas 27 anos) escolhe um programa ético e estético centrado no confessionalismo e na busca de autenticidade. A dominante autobiográfica é, de resto, uma marca geracional. Não pode esquecer-se que Torga viria a participar, por pouco tempo, no movimento da Presença, vindo a demarcar-se dele, não tanto por força de divergências substantivas mas em virtude de um fortíssimo impulso individualista. A essa luz de obstinada independência ganha também importância a forte relação que o autor mantém com a terra natal. A partir de certa altura, a dialéctica entre aproximação e distância fixa-se essencialmente em torno de Coimbra (a “Agarez alfabeta”) e das fragas maternais de Trás-os-Montes, onde o poeta volta ciclicamente, sobretudo por ocasião do Natal. Nessa medida, bem pode dizer-se que o regresso constitui, ao mesmo tempo, um prémio e uma revalidação do preito à terra. A sua obra, recheada de simbologia bíblica, encontra-se, antes, imersa num sentido divino que transfigura a natureza e dignifica o homem no seu desafio ou no seu desprezo face ao divino. A ligação à terra, à região natal, a Portugal, à própria Península Ibérica e às suas gentes, é outra constante dos textos do autor. Ela justifica o profundo conhecimento que Torga procurou ter de Portugal e de Espanha, unidos no conceito de uma Ibéria comum, pela rudeza e pobreza dos seus meios naturais, pelo movimento de expansão e opressões da História, e por certas características humanas definidoras da sua personalidade. A intervenção cívica de Miguel Torga, na oposição ao Estado Novo e na denúncia dos crimes da guerra civil espanhola e do regime franquista, valeu-lhe a apreensão de algumas das suas obras pela censura e a prisão pela polícia política portuguesa. É autor de uma obra extensa e diversificada, compreendendo poesia, diário, ficção (contos e romances), teatro, ensaios e textos doutrinários. As suas obras com maior relevo são Rampa (1930), O Outro Livro de Job (1936), Lamentação (1943), Nihil Sibi (1948), Cântico do Homem (1950), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (1954), Orfeu Rebelde (1958) e Diário X (constituído por 16 volumes escritos entre 1941 e 1994) Foram-lhe atribuídos, entre outros, o prémio Diário de Notícias (1969), o Prémio Internacional de Poesia de Knokke-Heist (1976), o prémio Morgado de Mateus, ex-aecquo com C. Drummond de Andrade (1980), o prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S., (1981), o prémio Camões (1989), o prémio Personalidade do Ano (1991), o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1992) e o Prémio da Crítica, consagrando a sua obra (1993). Adolfo Correia da Rocha/Miguel Torga faleceu a 17 de Janeiro de 1995 na cidade de Coimbra. Bibliografia Activa Prosa: Pão Ázimo, 1931 A Terceira Voz, 1934 A Criação do Mundo, os Dois Primeiros Dias, 1937 O Terceiro Dia da Criação do Mundo, 1938 O Quarto Dia da Criação do Mundo, 1939 Bichos, 1940 Contos da Montanha, 1941 O Senhor Ventura, 1943 Um Reino Maravilhoso, 1941 Trás-os-Montes, 1941 Conferência, 1941 Rua, 1942 Portugal, 1950 Pedras Lavradas, 1951 Novos Contos da Montanha, 1944 Vindima, 1945 Romance: Traço de União, 1955 O Quinto Dia da Criação do Mundo, 1974 Fogo Preso, 1976 O Sexto Dia da Criação do Mundo, 1981 Teatro: Terra Firme, 1941 Mar, 1941 O Paraíso, 1949 Sinfonia, 1947 Poema Dramático, 1946 Poesia e Prosa: Diário (1º Volume), 1941 Diário, (3º Volume), 1946 Diário, (4º Volume), 1949 Diário, (5º Volume), 1951 Diário, (6º Volume), 1953 Diário, (7º Volume), 1956 Diário, (8º Volume), 1959 Diário, (9º Volume), 1964 Diário, (10º Volume), 1968 Diário, (11º Volume), 1973
Diário, (12º Volume), 1977Antologia Poética, 1981. |
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