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Tenho vindo a pensar de há
uns tempos para cá nas modificações que se
têm verificado no modo de festejar o Natal, através das
gerações, até aos nossos tempos.
Embora eu não tenha vivido
há 50 ou 60 anos atrás, porque só tenho 18 anos,
tenho notado,através de histórias que os meus
avós e os meus pais contam, que a quadra natalícia tem
mudado muito. Não sei se é pelo facto de haver mais
dinheiro, ou por as crianças de hoje serem muito exigentes.
Só sei que as histórias que eles contam estão
muito longe da realidade dos nossos tempos.
A minha mãe, numa conversa
que tivemos, quando eu lhe perguntei o que é que o Menino
Jesus lhe trazia ou o que é que ela pedia, ela simplesmente me
respondeu que não pedia nada. Naqueles tempos, as prendas que
apareciam no sapatinho eram laranjinhas e uns rebuçadinhos
só para adoçar a boca e era quando havia dinheiro,
porque, caso contrário, eram só as laranjinhas que
apareciam no sapatinho. Ficavam muito felizes! Era como se lhes
dessem uma prenda enorme, era uma alegria! Diz a minha mãe
que, mesmo assim, eram muito felizes: podiam não ter prendas,
nem dinheiro para coisas caras, mas amor e carinho não
faltavam. Viviam conforme as possibilidades da época, mas
nunca lhes faltou nada. |
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Hoje em dia, eu sei que os tempos
mudaram, mas é um exagero: as crianças de hoje
não se contentam com duas ou três laranjas ou com uns
rebuçados no sapatinho. Pelo contrário: se lhes
perguntássemos o que é que elas achavam, iriam achar
ridículo, pois só pensam em bonecos, jogos, prendas
caras a que, muitas vezes, depois de as receberem, não
dão o devido valor e acabam por estragar, ou então
não brincam simplesmente com aquele brinquedo, ou porque
passou de moda, ou porque não era daquela cor que queriam, ou
então já não gostam daquele e queriam outro.
Eu não sei se esta
mudança é boa ou má, terá eventualmente
os seus aspectos positivos e negativos. O que eu acho positivo
é o facto do nível de vida ser superior, das pessoas
não passarem tanta necessidade, tanto a nível
económico como em questões de alimentação.
Antigamente, ficava-se muito aquém das necessidades. Mas os
aspectos negativos não são melhores.
Quando, às vezes, vou a uma
loja, vejo crianças a exigir aos pais que lhes comprem ou
brinquedos, ou chocolates, sem pensarem se precisam ou não,
mas, como as crianças dizem Eu quero, os pais,
para lhes fazerem a vontade, compram-lhes tudo. Também
não estou a dizer que não devem nunca comprar, mas
devem comprar conforme a necessidade e ensinar às
crianças que também existem dificuldades e que os pais
nem sempre podem. Além disso, com a crise que se está a
viver, há que saber poupar e ensinar a poupar, para que as
crianças que um dia mais tarde serão os homens que
governarão o nosso país e os trabalhadores da nossa
comunidade não estejam habituadas só a facilidades e a
que todas as coisas sejam um mar de rosas.
Mas, apesar de todas as
dificuldades, o espírito mantém-se: celebra-se o
nascimento do Menino Jesus, o verdadeiro símbolo do Natal, o
nascimento do Filho de Deus, filho da Virgem Maria; passa-se a noite
e o dia com a família, a trocar os presentes, não como
mais uma coisa fútil, mas como sinal do amor que existe entre
a família e entre as pessoas.
Tenho pena daquelas crianças
que não podem, como eu, ter a família toda reunida, ter
uma ceia de Natal cheia de coisas boas e uma casinha com uma fogueira
para naquela noite e nas outras se poderem sentar e aí, tal
como eu, perguntarem aos seus pais e avós como era o Natal
deles quando eram mais novos. Para elas um grande beijinho e tudo de
bom. Faço votos para que o Menino Jesus se lembre dessas
crianças e lhes dê uma família e um futuro feliz.
Susana F., 12º D |