Ano XII - Jornal N.º 23 - Janeiro de 2004

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Natal

O NATAL DE ONTEM E DE HOJE

Tenho vindo a pensar de há uns tempos para cá nas modificações que se têm verificado no modo de festejar o Natal, através das gerações, até aos nossos tempos.

Embora eu não tenha vivido há 50 ou 60 anos atrás, porque só tenho 18 anos, tenho notado,através de histórias que os meus avós e os meus pais contam, que a quadra natalícia tem mudado muito. Não sei se é pelo facto de haver mais dinheiro, ou por as crianças de hoje serem muito exigentes. Só sei que as histórias que eles contam estão muito longe da realidade dos nossos tempos.

A minha mãe, numa conversa que tivemos, quando eu lhe perguntei o que é que o Menino Jesus lhe trazia ou o que é que ela pedia, ela simplesmente me respondeu que não pedia nada. Naqueles tempos, as prendas que apareciam no sapatinho eram laranjinhas e uns rebuçadinhos só para adoçar a boca e era quando havia dinheiro, porque, caso contrário, eram só as laranjinhas que apareciam no sapatinho. Ficavam muito felizes! Era como se lhes dessem uma prenda enorme, era uma alegria! Diz a minha mãe que, mesmo assim, eram muito felizes: podiam não ter prendas, nem dinheiro para coisas caras, mas amor e carinho não faltavam. Viviam conforme as possibilidades da época, mas nunca lhes faltou nada.

Hoje em dia, eu sei que os tempos mudaram, mas é um exagero: as crianças de hoje não se contentam com duas ou três laranjas ou com uns rebuçados no sapatinho. Pelo contrário: se lhes perguntássemos o que é que elas achavam, iriam achar ridículo, pois só pensam em bonecos, jogos, prendas caras a que, muitas vezes, depois de as receberem, não dão o devido valor e acabam por estragar, ou então não brincam simplesmente com aquele brinquedo, ou porque passou de moda, ou porque não era daquela cor que queriam, ou então já não gostam daquele e queriam outro.

Eu não sei se esta mudança é boa ou má, terá eventualmente os seus aspectos positivos e negativos. O que eu acho positivo é o facto do nível de vida ser superior, das pessoas não passarem tanta necessidade, tanto a nível económico como em questões de alimentação. Antigamente, ficava-se muito aquém das necessidades. Mas os aspectos negativos não são melhores.

Quando, às vezes, vou a uma loja, vejo crianças a exigir aos pais que lhes comprem ou brinquedos, ou chocolates, sem pensarem se precisam ou não, mas, como as crianças dizem “Eu quero”, os pais, para lhes fazerem a vontade, compram-lhes tudo. Também não estou a dizer que não devem nunca comprar, mas devem comprar conforme a necessidade e ensinar às crianças que também existem dificuldades e que os pais nem sempre podem. Além disso, com a crise que se está a viver, há que saber poupar e ensinar a poupar, para que as crianças que um dia mais tarde serão os homens que governarão o nosso país e os trabalhadores da nossa comunidade não estejam habituadas só a facilidades e a que todas as coisas sejam um mar de rosas.

Mas, apesar de todas as dificuldades, o espírito mantém-se: celebra-se o nascimento do Menino Jesus, o verdadeiro símbolo do Natal, o nascimento do Filho de Deus, filho da Virgem Maria; passa-se a noite e o dia com a família, a trocar os presentes, não como mais uma coisa fútil, mas como sinal do amor que existe entre a família e entre as pessoas.

Tenho pena daquelas crianças que não podem, como eu, ter a família toda reunida, ter uma ceia de Natal cheia de coisas boas e uma casinha com uma fogueira para naquela noite e nas outras se poderem sentar e aí, tal como eu, perguntarem aos seus pais e avós como era o Natal deles quando eram mais novos. Para elas um grande beijinho e tudo de bom. Faço votos para que o Menino Jesus se lembre dessas crianças e lhes dê uma família e um futuro feliz.

Susana F., 12º D